O que faz um mestre de RPG (e como uma aventura pode ocupar esse lugar)

Toda mesa de RPG tem uma figura no centro, e ela não é bem um jogador. É o mestre, a pessoa que segura o mundo inteiro na mão enquanto os outros seguram só os seus personagens. Eu sempre achei esse papel a coisa mais fascinante do RPG, o cargo mais difícil e mais poderoso da mesa. Se você já se perguntou o que exatamente essa pessoa faz, e se dá para jogar sem ela, este texto é pra você.

O que faz um mestre de RPG?

O mestre é quem controla tudo no jogo, menos as ações dos personagens dos jogadores. Narra o mundo e descreve o que os personagens veem e sentem, dá vida a todos os personagens que não são dos jogadores, arbitra as regras como um juiz, rola os dados dos inimigos e das situações, e mantém a história andando com coerência. É, ao mesmo tempo, os olhos, a voz e as leis do mundo.

As muitas funções de um mestre

O que impressiona é quantos chapéus essa pessoa usa numa mesma sessão. Num instante narra, pintando a paisagem de uma floresta ou o interior de uma taverna. No instante seguinte atua, dando voz e personalidade a um velho taberneiro ou a um vilão ameaçador. Logo depois julga, decidindo se aquela ação arriscada dá certo e o que ela custa. E o tempo todo rege o ritmo, a tensão e a surpresa, para que a história respire. Não é à toa que existem vários nomes para o cargo, de mestre a narrador a árbitro, cada um destacando uma dessas funções.

Dá para jogar sem um mestre?

Essa é a pergunta que muita gente faz, e a resposta é sim. Existe todo um mundo de RPG solo, jogado sem mestre humano, e ele se divide em dois caminhos bem diferentes. Vale conhecer os dois, porque eles pedem coisas opostas de você.

O caminho de virar o seu próprio mestre

O primeiro caminho é você mesmo assumir as duas cadeiras. Com a ajuda de tabelas e de um recurso chamado oráculo, um jeito estruturado de fazer perguntas ao mundo e sortear as respostas, você joga ao mesmo tempo como herói e como mestre da sua própria aventura. É uma delícia para quem gosta de improvisar e escrever, mas exige justamente isso: talento e disposição para narrar. Lembra jogar xadrez sozinho, movendo as peças pretas e as brancas. Funciona, e tem gente que ama, mas você continua fazendo os dois lados do tabuleiro.

O caminho do livro que já é o mestre

O segundo caminho é o do livro-jogo, e é aqui que o trabalho sai das suas costas. Num livro-jogo, você não precisa fazer os dois lados, porque o próprio livro é o mestre. É ele que narra as cenas, que dá voz aos personagens, que apresenta os perigos e guarda as regras. A você sobra a melhor parte, a de ser protagonista e decidir o que fazer. Voltando ao xadrez, é como se você jogasse só com as suas peças, enquanto um parceiro invisível e bem preparado cuidasse de todo o resto do tabuleiro por você, te deixando livre para pensar só na sua jogada. Você tem toda a emoção de decidir, sem o trabalho de conduzir.

No Mysteries & Perils, o mestre é a própria aventura

Foi essa segunda ideia que eu levei ao Mysteries & Perils. Nele, quem faz o papel do mestre é a aventura, escrita e ilustrada à mão em caminhos que se ramificam conforme as suas escolhas, somada ao motor do jogo. É a aventura que te narra as cenas e dá vida aos personagens que você encontra, e é o jogo que arbitra as regras da 5ª edição de 2024 e rola os dados, sempre no servidor, do jeito certo. Você fica com a parte que importa: viver a história e tomar as decisões que a movem.

Sendo justo, um mestre humano tem um dom que um livro não tem, o de improvisar diante de qualquer maluquice que os jogadores inventem. Em troca, o livro-jogo te oferece uma aventura pensada e cuidada em cada detalhe, que está sempre disponível, no seu horário, e conduz tudo por você, sem depender de reunir ninguém. Você não precisa decorar nenhuma regra, o jogo faz isso por você, e não precisa ser o mestre nem encontrar um. Basta abrir o navegador e ser o protagonista da sua história. Se essa ideia te agrada, entre na lista de espera e venha viver a sua aventura.

Por Mario, criador do Mysteries & Perils, fã de Baldur's Gate 1 e iniciado nos livros-jogo.

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