Quanto custa começar a jogar RPG? Dá para entrar gastando pouco

Quem passa em frente à prateleira de RPG de uma loja costuma ter a mesma impressão: livros grossos e caros, dados de todas as cores, miniaturas pintadas, mapas, telas de mestre. Parece um hobby que pede um investimento e tanto só para dar o primeiro passo. Essa impressão é compreensível, e é quase toda falsa. Deixa eu te mostrar o custo real de começar a jogar RPG, que é muito mais amigável do que a vitrine sugere.

Quanto custa começar a jogar RPG?

Muito menos do que parece, e pode custar exatamente zero. As regras básicas dos principais sistemas estão disponíveis de graça na internet, as fichas de personagem são gratuitas para imprimir, e para rolar os dados basta um aplicativo grátis no celular. Dá para aprender e jogar sem gastar um centavo. Se você quiser um pouco mais de conforto, um conjunto de dados de verdade e uma caixa de introdução saem baratos. O hobby caro da vitrine é uma escolha, não uma exigência.

O mito do hobby caro

A prateleira da loja engana porque mostra o topo, não a entrada. É a mesma lógica de olhar a parede de tênis de corrida caríssimos e concluir que correr é caro, quando na verdade você só precisa calçar o que já tem e sair pela porta. No RPG é igual. Aqueles livros lindos e as miniaturas caprichadas são para quem já está dentro e quer aprofundar, não para quem está chegando. Ninguém precisa deles para viver a primeira aventura.

Dá para começar de graça

O caminho gratuito é real e completo o bastante para muita gente nunca sentir falta de mais. As regras básicas oficiais podem ser baixadas sem custo e já trazem o suficiente para jogar. As fichas você imprime de graça ou preenche numa folha qualquer. Os dados, se não quiser comprar, viram um aplicativo gratuito, ou você simplesmente pede para o buscador "rolar um dado de 20 lados". E para jogar à distância existem mesas virtuais gratuitas que rodam no navegador. Dá para montar uma campanha inteira gastando nada além de tempo.

E se eu quiser gastar um pouco

Se bater a vontade de investir, os primeiros passos ainda são baratos. Um conjunto de dados custa pouco e dura anos. Uma caixa de introdução, quando existe, costuma trazer tudo o que um grupo iniciante precisa por um preço camarada, personagens prontos, dados, uma aventura e as regras essenciais. Os livros completos e mais caros ficam para depois, e mesmo assim só o mestre precisa dos seus, então o custo se divide entre a mesa. Nada disso é pré-requisito para começar.

O que realmente pesa não é o dinheiro

Aqui vai a parte mais honesta deste texto. O maior custo de entrar no RPG de mesa quase nunca é financeiro; ele está em juntar as pessoas, encontrar um mestre disposto e fazer as agendas de todo mundo baterem numa mesma noite, com alguma regularidade. Esse é o preço que mais cobra, e ele não se paga com dinheiro. Foi por isso que os formatos para jogar sozinho, que dispensam grupo e mestre, sempre foram tão preciosos, e continuam sendo.

No Mysteries & Perils, entrar custa pouco de propósito

Foi pensando em derrubar as duas barreiras, a do dinheiro e a do grupo, que eu construí o Mysteries & Perils. O acesso a ele terá um valor baixo, e isso é proposital: a ideia é levar o livro-jogo para o máximo de gente possível. Por rodar no navegador, ele já vem com tudo dentro, a aventura, as regras da 5ª edição de 2024, os dados, a arte, então você não compra livro, nem dado, nem miniatura, nem nada à parte. E não precisa reunir ninguém, porque você joga sozinho, no seu tempo.

Melhor ainda para quem chega cedo: quem entra na lista de espera larga na frente. No lançamento, os primeiros vão poder testar de graça por alguns dias, e ainda vamos sortear contas gratuitas entre as pessoas inscritas. Se o preço nunca foi o que te impedia, e sim a falta de tempo ou de grupo, entre na lista de espera e venha começar do jeito mais fácil e barato que existe.

Por Mario, criador do Mysteries & Perils, fã de Baldur's Gate 1 e iniciado nos livros-jogo.

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